Presente Realista, Futuro Otimista

Entrevista à Fábio Sabbag – GRAPHPRINT | JAN/FEV 17

Nesta entrevista, Christian Vorländer, CEO da Comprint, fala claramente sobre como a sua empresa está vencendo os desafios propostos pelo atual momento da economia como um todo. Fundada em 1982, a Comprint segue seu objetivo de apresentar as mais recentes tecnologias fundamentadas em equipamentos confiáveis.

Sempre realista em relação ao presente e otimista em relação ao futuro, de acordo com as suas próprias palavras, Vorländer avalia com franqueza que há possibilidade de crescimento em alguns mercados, como o de impressão de embalagens. A visão do CEO compreende ainda que a impressão digital tende a caminhar a passos mais largos no Brasil, e por isso vale o investimento em soluções diferentes.

O entrevistado considera também que os segmentos de embalagens, etiquetas e rótulos, que sempre foram foco da Comprint, recebem a tecnologia para sofisticação, sempre no sentido de viabilizar ou baratear a impressão, ao invés de substituí-la. O caso de tiragens menores e aumento de SKUs exemplifica bem essa situação.

 

Há 34 anos no mercado gráfico, a Comprint enxerga o atual momento como o mais desafiador?

Como dizia Tom Jobim, “o Brasil não é para principiantes”. A atual crise econômica é realmente severa e nunca vimos o empresariado em geral tão desanimado e sem confiança. Isso, obviamente, impacta a venda de máquinas e bens de capital em geral. Entretanto, não é a primeira vez que enfrentamos um cenário adverso. Em todos esses anos de Comprint enfrentamos hiperinflação, desvalorizações e trocas de moeda, diferentes regimes políticos e políticas comerciais, ausência de crédito e por aí vai. Ainda assim, da mesma maneira que encontramos formas de contornar os obstáculos, pudemos também aproveitar as oportunidades que um mercado grande e em desenvolvimento, como o brasileiro, pode oferecer. Somos, ou melhor, continuamos realistas em relação ao presente e otimistas em relação ao futuro.

A empresa consegue transitar nos mercados digitais e de flexografia há anos. Isso quer dizer que há possibilidade de crescimento nestes segmentos? Quais as estratégias para alavancar as vendas?

Com certeza há possibilidade de crescimento em ambos os mercados. O próprio mercado de embalagens tende a crescer com a demografia no Brasil e isso nos motiva a oferecer em nosso portfólio equipamentos da HP Indigo, ABG e Highcon. No digital, o aumento de SKUs com tiragens menores, a excelente qualidade do produto final e a ampliação do leque de uso nos gera mais argumentos de vendas com os clientes e nos ajuda a aumentar a penetração dessa tecnologia no mercado. Além disso, sempre buscamos identificar segmentos que apresentam o maior potencial de crescimento e oferecer para nossos clientes diferentes tecnologia
s para impressão e acabamento.

entrevista02Na indústria de comunicação renasce a ideia de que a mídia impressa tem um futuro melhor daqui em diante. Algumas mídias, que chegaram com o intuito de predar a demanda por impressão, estão sucumbindo ou se acomodando de forma até que natural. Você enxerga assim o atual momento da demanda por impressão ou ainda há sérios obstáculos pelo caminho?

Certamente o mundo é outro quando comparamos com o mercado gráfico em que atuávamos 34 anos atrás. No entanto, é nítido um movimento de “volta” à impressão tradicional e entendemos que as mídias eletrônicas e impressas podem e devem conviver. Cabe também lembrar que o segmento de embalagens, etiquetas e rótulos sempre foi nosso foco. Nesse segmento, a tecnologia vem mais para sofisticar, viabilizar e/ou baratear a impressão, ao invés de substituí-la. O caso de tiragens menores e aumento de SKUs exemplifica bem essa situação.

O radar de atuação da Comprint, além de gráficas, compreende marcação e codificação, impressão 3D e eficiência energética. São mercados com sinergia ou há equipes distintas? Para as gráficas, qual o diferencial da Comprint?

Historicamente, temos forte atuação nas áreas gráfica e “industrial”, como chamamos o grupo que compreende codificação, manufatura aditiva (3D) e eficiência energética. Preferimos manter equipes de vendas e assistência técnicas dedicadas para cada linha. Ainda assim, podemos tirar proveito de certas sinergias comerciais, como no caso de marcação e numeração no liner em etiquetas, com nossas máquinas Hitachi. Em gráficas, buscamos capitalizar nosso conhecimento técnico e de mercado, atuando como um consultor de soluções para nossos clientes. O fato de poder oferecer linhas complementares de produto certamente ajuda a reforçar nossa presença e relacionamento junto ao cliente; oferecemos os equipamentos não só para impressão, mas também para acabamento.

Em 2016 quais foram os principais desafios vencidos pela empresa? É possível falar em crescimento?

Num cenário desafiador para novas vendas, n
ossas prioridades em 2016 foram garantir o bom atendimento de nossa base instalada de clientes, manter uma posição financeira só- lida para atravessar o período de crise e estar bem posicionados para a eventual recuperação do mercado. Estamos satisfeitos por ter atingido todos os objetivos citados, mas ainda mais contentes por temos conseguido fechar novos negócios nos 3º e 4º trimestres do ano, o que nos permitiu crescer em relação a 2015.

 

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Há novas parcerias a caminho para 2017?

Estamos constantemente analisando novas possibilidades de parceria, de forma a melhorar e complementar os produtos e serviços ofertados a nossos clientes. Em 2016 mantivemos nossa rotina de prospecção de novos negócios e podemos, sim, ter novidades para 2017.

Com relação aos fabricantes de impressoras quais as vantagens das parcerias estabelecidas até agora?

Na área digital, a HP Indigo é a precursora do mercado e até hoje estabelece uma barreira competitiva em relação à tecnologia. Em flexografia, representamos a Omet, que, além de ser uma empresa consolidada no mercado mundial por sua excelência em qualidade, oferece aos clientes uma enorme flexibilidade na customização dos equipamentos para atender necessidades específicas. Na área de marcação, codificação e numeração, nossa representada Hitachi oferece produtos de alta qualidade e grande confiabilidade com um baixíssimo consumo de fluidos.

Além de hardwares, a Comprint consegue chegar com softwares com foco, por exemplo, no web-to-print?

É um segmento que estamos a
nalisando, mas ainda não temos oferta de produtos para nossos clientes.

Hoje, a informação pulula em todas as mídias e canais sociais. Nesse sentido, o mercado de representação está com os dias contados?

Vorländer – De forma alguma. Para produtos e serviços de alto valor agregado, longa vida útil e complexo ciclo de venda, o representante, ou distribuidor, continua a desempenhar um papel crítico nas decisões de investimento e no apoio pós- -venda junto aos clientes.

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